Energia: o tiro pela culatra - América Latina en Movimiento
ALAI, América Latina en Movimiento

2013-01-10

Brasil

Energia: o tiro pela culatra

Sergio Sebold
Clasificado en: MedioAmbiente, Economia,
Disponible en:   Portugues       


 

Ultimamente o que mais se especula é, se teremos ou não apagão elétrico diante do cenário que se apresenta na conjuntura nacional por questões de baixos investimentos ou mesmo de ordem climática.
 
No governo FHC quando das privatizações, sem maiores considerações de ordem político/administrativa, houve a negociação (diríamos imposição) de se inserir uma taxa adicional sobre as contas de luz por conta da necessidade de novos investimentos no setor pelo prazo de dez anos. Este argumento era decorrente de que o setor estava defasado, e os novos proprietários só assumiriam a parte de investimentos que acompanhassem o crescimento da demanda de longo prazo. A defasagem seria por conta do tesouro que no final caiu como sempre nas nossas costas: a sociedade. Assim aquele over price tinha finalidade de alavancar (melhor desenterrar) os projetos que estavam nas gavetas palacianas.
 
Estes dez anos se passaram e continuamos pagando “de graça” esta sobre tarifa. A intenção do governo da dona Dilma, se eleitoreira ou não, não entraremos neste mérito, era de acabar com este absurdo. Ela já tinha conhecimento desta tramóia financeira desde quando foi Ministra das Minas e Energia no governo Lula. Na condição agora de presidenta da república fez valer seu poder decisório. Deu no que deu, as companhias que vinham mamando este dinheiro (maná) botaram a boca no trombone buscando outros argumentos para mantê-lo A presidente endureceu argumentando que já tinham recebido o dinheiro que achavam necessário para recuperar o atraso. Em termos práticos a eliminação desta sobre tarifa levará a uma redução média de 20% na conta dos usuários.
 
Entidades ligadas ao setor estão procurando de todas as formas, maneiras e manobras usando inclusive o amedrontamento macabro que haverá apagões, pelas diversas circunstâncias conjunturais, no sentido de reverter a decisão. 
 
Pela ótica microeconômica, as contas que vierem com redução provocarão duas situações: a) consumidor aumentará o consumo em quantidade, mantendo de qualquer maneira seu orçamento; b) ou aumentará seu consumo em outros bens compensando aquele benefício. Pelas duas hipóteses haverá aumento da demanda da energia em todo o país.
 
Paradoxalmente a redução das tarifas forçará o aumento do consumo em quantidade de um sistema que já está à beira de um colapso. Agora sim correremos um risco de apagões. Ninguém está se apercebendo pela ótica econômica do risco por aumento inesperado de consumo de energia daqui para frente. 
 
Por sua vez, as condições climáticas realmente até agora não estão muito favoráveis para encher os reservatórios. Na outra ponta, as usinas geradoras termoelétricas estão no limite de sua capacidade, por conta dos níveis baixíssimos dos reservatórios. Estamos nas mãos de São Pedro. Em havendo racionamento, por esse viés, sem dúvida alguma as operadoras/geradoras outra vez entrarão com o argumento que os efeitos da natureza não faz parte do risco de negócio que fizeram com o governo, na época da privatização. Ou seja, eles privatizaram os lucros e não os riscos do negócio. Exigirão uma nova sobre taxa para recuperar seus prejuízos, se assim ocorrerem. Negócio assim nem na China. Corremos assim o risco de voltar a estaca zero, ganhamos de um lado na tarifa, mas perdemos do outro, por apagões ou racionamento.   Aí sim, nosso “pibinho” vai pro brejo.
 
Sergio Sebold – Economista e Professor Independente


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