A dívida e(x)terna em pauta - América Latina en Movimiento
ALAI, América Latina en Movimiento

2001-07-12

A dívida e(x)terna em pauta

Frei Betto
Clasificado en:   Cultura: Cultura, Religion, |   Política: Politica, DerechosHumanos, Justicia, |   Social: Social, Exclusion, Laboral, Ninez, Pobreza, Salud, Violencia, |   Economía: Economia, DeudaExterna, PoliticasEconomicas, |
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GÊNOVA, Itália. Um movimento intitulado Jubileu Sul promove aqui em Gênova, entre 15 e 21 de julho, a Semana Mundial de Protesto contra a Dívida Externa. O lema é "Anular a dívida já!" Foi o que o papa João Paulo II o pediu em seu sermão de domingo, um recado ao G-8 em prol das países mais endividados.

Inspirado no Jubileu 2000 da Igreja católica, quando pediu aos países credores o perdão da dívida das nações mais pobres do mundo, Jubileu Sul nasceu em dezembro do ano passado, em Dakar, Senegal, onde o tema foi debatido na conferência internacional denominada Consulta Sul-Norte, e recebeu reforços no Fórum Social Mundial, realizado, em janeiro, em Porto Alegre.

No espaço de debates batizado de Fórum Social Gênova, Jubileu Sul propõe aos diversos movimentos e ONGs aqui presentes uma discussão sobre a legitimidade da dívida do Terceiro Mundo. Há até um site para os interessados (http://www.genoa-g8.org) e um endereço eletrônico (info@genoa-g8.org) para quem quiser opinar.

Prevê-se, para o dia 19, uma Marcha pelos Direitos dos Migrantes, rejeitados pela direita européia, e na tarde do dia 21 outra marcha deverá rodear o local de reunião do G-8. Com o apoio de entidades religiosas, inclusive do Vaticano, Jubileu Sul promoverá, durante o encontro do G-8, três dias de jejum e orações pela anulação da dívida. Mais informações podem ser obtidas pelo site (jpicuguis@rm.nettuno.it) da Comissão de Justiça e Paz da União de Superiores Gerais (de ordens e congregações religiosas católicas).

Os dados divulgados aqui são alarmantes: dos 442 milhões de latino- americanos, 250 milhões vivem abaixo da linha da pobreza. Segundo a Unicef, na América Latina 57% das crianças com menos de 5 anos de idade são pobres.

Desde 1960, as riquezas mundiais foram multiplicadas por oito. De cada dois habitantes do planeta, um vive com menos de US$ 2 por dia. Um em cada 3 não tem acesso à energia elétrica. Um em cada 4 sobrevive com menos de US$ 1 por dia. Um em cada 5 não tem acesso à água potável. Um em cada 6 é analfabeto. De cada sete adultos, um sofre de subnutrição.

O programada ONU para o desenvolvimento (PNUD) e a Unicef calculam que um investimento anual de US$ 80 bilhões, ao longo de dez anos, seria o suficiente para assegurar a cada pessoa alimentação, educação e saneamento básicos, saúde e água potável (da qual estão privadas cerca de 1,3 bilhões de pessoas).

A quantia equivale a quatro vezes menos do que os países em desenvolvimento desembolsam anualmente para amortizar sua dívida externa; a 1/4 do orçamento militar dos EUA; a 9% dos gastos mundiais com armamentos; a 8% dos gastos em publicidade; ou a metade da fortuna das quatro pessoas mais ricas do mundo.

Desde a crise da dívida externa, em 1982, aumentaram os fluxos de capital dos países pobres em direção aos ricos (cerca de US$ 200 bilhões por ano). Ao mecanismo de reembolso da dívida acrescem-se o intercâmbio comercial desigual, a pilhagem das riquezas naturais, a fuga de cérebros, a repatriação de lucros às atrizes metropolitanas, as privatizações do patrimônio público/estatal como forma de alienação da soberania nacional.

Para os que atendem à convocação do Jubileu Sul, urge anular a dívida pública do Terceiro Mundo, considerada pequena se comparada com a dívida histórica, ecológica social que os países ricos do hemisfério Norte contraíram com o resto do mundo.

A dívida mundial está calculada em US$ 45 trilhões. Quase a metade é o resultado da soma das dívidas pública e privada dos EUA: US$ 20 trilhões. Os países subdesenvolvidos (excluído o Leste europeu) devem cerca de US$ 2,1 trilhões. Se este montante fosse anulado, sem indenizar os credores, milhões de pessoas se veriam livres do peso da dívida e suas nações poderiam investir em saúde, educação, moradia, postos de trabalho etc.

À globalização do mercado, os ativistas do anti-G8 querem contrapor a globalização do direito. Em especial, dos direitos dos pobres.

http://alainet.org/active/1342&lang=es




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